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TENDINITE EM EQUINOS DE ESPORTE

Por Evaldo Dias Rosa, Médico Veterinário de Equinos 

A tendinite é um processo inflamatório que acomete os tendões. Em cavalos de sela e de tração é mais comum o acometimento dos flexores e suas bainhas sinoviais dos membros anteriores e posteriores.

As causas desta afecção são variadas, porém, a causa base é o esforço exacerbado de extensão sobre os tendões, que por sua vez, causa distensão das fibras que não estão preparadas para receberem tanta tração e acabam rompendo-se parcialmente, causando assim reação inflamatória local dolorosa.

O trauma aos tendões por hiperextensão causam lesões microscópicas e o trauma agúdo causa lesões macroscópicas, esta, por sua vez causa ruptura tendínea.

Dentre algumas causas que podem predispor a tendinite, temos a hereditariedade; deficiência congênita, como por exemplo, eixo falângico longo ; defeitos de aprumos ou fatores externos comuns que ocorrem no dia-dia, como início de treinamento precocemente ou treinamento errôneo, muito esforçado; fadiga muscular causada por muito esforço físico, como corridas e caminhadas muito longas; ferrageamento inapropriado; lesões como encastelamento, doença do navicular, laminite; solo muito fofo e arenoso e até mesmo a obesidade ou casos em que os animais possuem estrutura corpórea grande, sendo assim mais pesados.

Quanto aos sintomas, eles se iniciam logo após o trauma, sendo assim, o animal apresenta o sinal clínico de claudicação, esta, por sua vez, apresenta diferentes graus, dependendo do quão severa foi a lesão, peso do animal, tipo de trabalho e tempo de evolução do caso (aguda ou crônica). A graduação vai do I ao V e nessa afecção pode chegar até grau IV.

 

 

 A claudicação se torna mais notória quando o animal apoia o membro afetado no chão, nesse momento há muita tração sobre os tendões, com isso o animal tem estimulo de dor e acaba elevando o boleto, notamos também, que ao caminhar, tenta compensar o peso no membro paralelo.

 Na fase aguda, quando o animal se encontra em repouso, o mesmo permanece com o membro em flexão passiva, ou seja, apoia somente a pinça do casco no chão, isso alivia a pressão, diminuindo assim a dor. A região comprometida apresenta inchaço, aumento de temperatura e intensa dor durante a palpação.

Devemos nos atentar à possível lesão no ligamento suspensório do boleto que pode ocorrer adjunta ao comprometimento dos tendões flexores, causando assim uma desmite interóssea.

Quando a lesão se torna crônica, por falta de tratamento, abordagem clínica errada ou pela simples evolução da lesão aguda, notamos a claudicação discreta durante o trote somente no momento da elevação. Apresentará aumento de volume, porém nessa fase é devido a fibrose, sendo ela responsável por restringir o movimento dos tendões flexores pela aderência que pode ter em paratendão, nas bainhas e ligamentos, podendo assim ocorrer constrição do ligamento anular palmar ou plantar. Nesta fase geralmente o animal não sente mais dor.

O diagnóstico é feito através de exame clínico dos tendões, iniciando na articulação cárpica ou társica na face posterior do membro afetado até articulação metacarpo ou metatarsofalangeano, de dois modos diferentes, quando o membro estiver apoiado e quando estiver flexionado passivamente.

 

Tendinite do tendão flexor

Em relação aos exames complementares, podemos contar com raio-x, para se obter diagnóstico diferencial de lesão sesamoidal, ultrassom e termografia.

O tratamento deve ser coerente com o estágio da afecção (aguda ou crônica). Na fase aguda o animal deve ficar em repouso, receber ducha fria ou bolsa de gelo, massagem local com produtos específicos para essa finalidade e anti-inflamatórios.

Caso a afecção já tenha se tornado crônica, também há indicação de repouso, tratamento com substâncias revulsivas para agudizar o caso e regredir os sinais clínicos. Após a abordagem inicial, a manutenção deve ser feita como nos casos de tendinite aguda caso a temperatura local esteja aumentada e seja único sinal desse estágio.

A liga também é muito útil nesses casos, porém deve ser utilizado de acordo com a necessidade de cada animal ou situação, lançar mão de ferraduras talonadas, uso de produtos que auxiliam na regeneração do tecido lesionado.

Procedimentos modernos de auxilio na regeneração tendinea vêm ganhando espaço e apresentando ótimos resultados, como células-tronco e PRP (Plasma rico em plaquetas). Se já houver fibrose no local, limitando os movimentos tendíneos a indicação é o tratamento cirúrgico para que as funções motoras se restabeleçam, mesmo que isso ocorra parcialmente.

Preventivamente, os animais que já tiveram tendinite devem ser observados regularmente, ter seus pesos sob controle e ao término do trabalho, receberem duchas e ligas.