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SÍNDROME DO NAVICULAR EXPERIÊNCIAS CLÍNICAS REAIS

 

Por Claudia Lechonski, MV

 

A síndrome do navicular é uma artrose progressiva e que não melhora, mas que pode estacionar. Eu diria que uns 80% dos cavalos de esporte de 13 anos em diante

apresentam em algum grau e nem sempre com sintomas iniciais. Pode também surgir antes, dependendo da conformação, o seu uso, entre outros fatores. O tratamento

bem-sucedido depende de:

a) Diagnóstico precoce, ou seja, não tapar o sol com a peneira.

b) Avaliação veterinária competente, com radiografias, e acompanhamentos periódicos.

c) O tratamento clínico precisa se aliar a:

Ferrageamento ortopédico (constante): Uma variedade de cuidados, desde casqueamento correto à ferradura e o uso de palmilhas. A palmilha isoladamente é pouco

recomendada, e em geral, a ferradura eggbar é o padrão.

Condroprotetores: Glicosamina + sulfato de condroitina

(permanente ou quase).

Isoxusuprine: Para estimular a circulação (devem ser usados durante uns três meses pelo menos, quando a presença dos sintomas é aguda).

Ácido acetilsalicílico: Analgésico, que deve ser ministrado durante o primeiro mês, no início do tratamento.

Infiltração articular ou peri-articular: A síndrome do navicular geralmente está associada aos vários tipos de osteítes. O procedimento deve ser repetido conforme haja

a necessidade, por exemplo, uma vez a cada seis meses. Em minha opinião, os tratamentos que não abrangem todos estes aspectos são incompletos.

 

Alguns aspectos a considerar:

•Tropeções: Intervalos excessivamente longos entre ferrageamentos mudam as angulações do casco, e o achinelamento resultante aumenta a pressão sobre o navicular.

Assim, o cavalo pisa mais inseguro, com passadas mais curtas ou “protegendo” o membro, mesmo que não haja uma claudicação evidente. Algumas atividades

esportivas acabam se tornando menos eficientes ou até inseguras.

•Piso duro: em geral é pior para o navicular. É essencial um plano de treinamento cotidiano em diversos tipos de piso e diversas velocidades. Também devem ser feitos

exercícios de flexionamento ou trabalho de plano, considerando que o uso otimizado da musculatura preserva o sistema

osteoarticular. Quanto maior for a velocidade em piso duro, pior será para o locomotor.

•Uso do Tildren: alguns tipos de síndrome do navicular respondem bem

ao Tildren (ácido tiludrônico), que já se encontra disponível, aqui no Brasil.

Ainda que seja dispendioso, pode ser interessante para alguns cavalos. É um tratamento complexo cuja indicação e também aplicação sempre depende do médico

veterinário.

•Neurectomia cirúrgica: pode ser evitada quando se instaura o tratamento precoce e intensivo delineado acima. Em geral, a mesma tende a abreviar a carreira atlética do

animal. O sucesso depende também da experiência do veterinário nesta intervenção, e da disposição do proprietário em investir, também financeiramente, no tratamento.

•Importância de casqueamento e ferrageamento: Não há um consenso entre especialistas quanto ao melhor ferrageamento para os vavalos com navicular. Sempre temos

que pensar no casco como estrutura dinâmica, tridimensional, “com o cavalo por cima”, e as mais diferentes condições de superfície “por baixo”. As diversas patologias

podem requerer a estabilização do estojo córneo, amortecendo impacto e preservando a coluna óssea.

Manutenção a longo prazo

A síndrome navicular deve receber acompanhamento radiológico, sendo este parte do conjunto e um dos fatores do tratamento, dos quais o ferrageamento é apenas

um.Alguns casos se estabilizam, outros se agravam cada vez mais, fazendo com que ocorra perda funcional do animal.As ferraduras de borracha deformam-se muito

rápido, assim entortando a base de apoio, já as ferraduras coláveis existem, mas são caríssimas e a cola prejudica a parede do casco.

Muitas ferraduras ortopédicas como as eggbar(fechadas) tanto quanto as com guarda-cascos (coladas ou não) prejudicam a expansão natural do casco, causando

problemas de contração de talão, ou seja, você veste um santo e descobre outro.

Também devemos lembrar-nos do desgaste acelerado que a ferradura de borracha sofre, tendo que ser trocada com mais frequência, resultando em uma maior fragilidade

da parede, por conta da maior quantidade de buracos de cravo.

Há quem defenda a manutenção de cavalos desferrados (mesmo durante o desempenho desportivo) como solução para diversas patologias, inclusive o navicular. Ainda

que em alguns países haja ferrenhos defensores desta prática, eu mesma em quatro décadas de prática na área nunca vi cavalos desferrados caminhando com a mesma

segurança e conforto de que os outros ferrados. Por ora, sigo com o grupo que afirma que um bom ferrageamento é o menor dos males. Infelizmente, existem ferradores

de formação técnica insuficiente que procuram transferir responsabilidade para fatores externos. Já conheci um que dizia que os cavalos precisavam passar vários

meses por um ano desferrados (e, portanto encostados...) para que o casco não deformasse. (Imagina você 100% descalço durante um mês por ano, em todas as

situações? Uma coisa é um maratonista queniano que correu descalço a vida inteira; outra é tirar o sapato de uma hora para outra, e voltar a colocá-lo depois de poucos

meses).

Na verdade, penso que quem deve preconizar a atitude certa com relação ao seu cavalo é o seu veterinário trabalhando em conjunto com o seu ferrador. Se eles não

conseguem lhe dar respostas e alternativas de qualidade, procure uma segunda opinião. Ou uma terceira, etc... Mas é essencial que

o cavalo seja examinado ao vivo e que seja realizado o exame radiográfico. Navicular em geral: eggbar com palmilhas ajudam, mas isso deve estar bem equilibrado com

o casqueamento. Além da terapêutica medicamentosa, é claro.