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NO INVERNO A TODO VAPOR

 

Os cavalos do Brasil tropical são influenciados pelo “inverno”? Excesso de chuva causa mais estrago no frio ou no calor? Por que tosquiar meu cavalo justamente no

tempo frio? Aqui você poderá resolver estas e muitas outras dúvidas!

Por Claudia Leschonski, MV

 

 

Em nosso país, falar de “cuidados no inverno” para cavalos pode ser um desafio – o frio do Brasil tropical corresponde ao verão de algumas áreas do sul, e o inverno é

chuvoso em algumas regiões e seco em outras! Como então fazer para darmos informações úteis a nossos leitores pelo país afora?

Vamos então falar como o frio e a umidade são percebidos pelos cavalos, e explicar porque as temperaturas inferiores podem se tornar um problema para a saúde dos

animais. Mencionaremos como os diversos sistemas orgânicos do cavalo podem ser afetados pelo frio.

Queremos lhe mostrar que, mais do que referências absolutas, as oscilações de temperatura e umidade são apenas uma das variáveis que compõe a equação do manejo

correto na busca de cavalos saudáveis e produtivos.

 

Tudo é relativo

É muito difícil falar de uma temperatura em que “todos” os cavalos sintam frio. A zona de conforto térmico varia de raça para raça, e também num mesmo indivíduo, de

acordo com o manejo que recebe e das condições em que se encontra aclimatado.

Para os equinos, mais importante quanto a temperatura ambiente é o fotoperíodo, a quantidade diária de horas de iluminação solar, que é menor no inverno e atinge seu

ápice no verão. A luz ambiente estimula as glândulas endócrinas a produzirem hormônios que habilitam o organismo a enfrentar a respectiva estação do ano. Um

exemplo clássico é a tendência dos mamíferos de engordarem no inverno. Especialmente nas éguas, a maior importância do fotoperíodo está na reprodução, pois nos

meses de menor luminosidade as fêmeas entram em anestro. Achados recentes demonstram que também os garanhões são afetados pelo fotoperíodo,

com os reprodutores que viajam entre os hemisférios norte e sul para servirem nas distintas temporadas de monta se tornando subférteis. Todos os animais estão

sujeitos a variações metabólicas sazonais, as quais independem das temperaturas ambientes.

 

Por que sentimos frio?

O tempo frio exige mais eficiência do organismo para que este continue no nível habitual de trabalho. Isto acontece porque há uma demanda calórica adicional para a

atividade dos sistemas metabólicos.

O sangue tende a se concentrar nos aparelhos cardiopulmonar e digestivo, e o resultado são as extremidades mais frias, com uma maior suscetibilidade a lesões

derivada da menor irrigação periférica.

Além disso, o ar mais frio é mais irritante às vias aéreas, desde os seios nasais até os brônquios. Assim como o resfriado humano é de origem alérgica, diversas

patologias respiratórias graves dos cavalos, agudas ou crônicas, podem ter seu começo no trabalho prolongado e intenso no ar frio.

 

Mas afinal, o que é frio para um cavalo?

Os cavalos são muito bem equipados para resistir a temperaturas baixas – desde que sejam habituadas a elas gradativamente. Ou seja, um animal que durante o mês de

julho saia da Bahia, por exemplo, para ir parar no planalto catarinense irá sentir exatamente o que uma pessoa nestas condições sentiria – muito frio!

O mesmo vale para qualquer alteração súbita de manejo, seja soltando a pasto um cavalo que estava encocheirado, seja tosquiando sem compensar com uso de capas

a ausência do “cobertor natural” do cavalo.

Outro problema é a umidade persistente que caracteriza, em algumas regiões, os meses de inverno. As temperaturas baixas diminuem a evaporação, o que leva à

sensação conhecida por muitos cavaleiros de que as coisas “nunca secam” - sejam pernas dos cavalos, botas, mantas ou camas de cocheira. Tudo isso são agressões

adicionais aos animais já desafiados pela queda nas temperaturas.

Generalizando em termos de Brasil, seria possível dizer que os cavalos não sentem frio em temperaturas acima de 12 a 15ºC – desde que, é claro, estejam bem

aclimatados no local onde se encontram, com boa saúde, e que tenham como se abrigar de correntes de ar e de chuvas.