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TÉTANO: SEU CAVALO SOB AMEAÇA!

 

Por: Claudia Leschonski, MV

 

Imagine uma substância tóxica da qual uma quantidade“x” mataria apenas uma galinha, porém quatrocentos cavalos. Isso mesmo, uma substância que, por equivalência de peso, é duzentas mil vezes mais tóxica para cavalos do que para galinhas, e que afeta praticamente todas as espécies animais. Apenas uma criatura é mais sensível a ela do que os cavalos: o ser humano.

Esta substância letal existe: é a toxina tetânica, produzida pelo Clostridium tetani, bactéria causadora do tétano. Felizmente, a vacina contra esta terrível doença existe, tem elevada eficiência,e é barata. Por que então tantos cavalos morrem de tétano todos os anos, Brasil afora?

O C. tetani é um bacilo que habita os solos terrestres e o intestino dos animais, preferindo as regiões de clima quente e úmido. Ele também é anaeróbico, significando que prefere a ausência de oxigênio, morrendo ou tendo a vitalidade bastante diminuída na presença de ar atmosférico.

 

Os processos metabólicos do bacilo liberam uma neurotoxina que atua sobre o sistema nervoso central dos animais, causando sintomas neurológicos diversos, dos quais o mais típico é a rigidez muscular progressiva, que culmina com a paralisia dos músculos respiratórios e cardíaco, levando à morte. No início da doença, muitos cavalos afetados apresentam fotofobia (sensibilidade à luz) e reações violentas a ruídos altos, pois sua percepção auditiva também fica alterada.

O tétano é uma doença traiçoeira, pois muitas vezes a fonte contaminante é um ferimento pequeno que sangrou pouco ou nada, e por isso mesmo passou despercebido, especialmente naqueles cavalos que ficam soltos a pasto e/ou não passam por revisão diária por parte dos tratadores. O ferimento original, porta de entrada do bacilo – tal como um furo por arame ou prego, ou um arranhão coberto por pêlos longos – pode até cicatrizar superficialmente, enquanto no espaço subcutâneo e na musculatura o C. tetani se desenvolve no seu meio favorito – quente, úmido e longe do ar puro! Esta é uma das razões pelas quais é tão importante fazer curativos diários nos ferimentos dos cavalos, e também manter os mesmos abertos, removendo as crostas antigas das lesões.

A doença instalada exige a presença imediata do médico veterinário, que deverá iniciar um tratamento agressivo incluindo soro antitetânico, sedativos, antibióticos e terapia de suporte, além de limpeza e drenagem de ferimentos, quando ainda existentes. Manter o cavalo em ambiente tranquilo e escurecido, e oferecer alimentos leves de fácil digestão (tal como pasto verde de boa qualidade) também auxilia no tratamento.