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PROBLEMAS CUTÂNEOS EM CAVALOS

1.Dermatofilose equina
A dermatofilose, também conhecida como estreptotricose cutânea, é uma doença infecto-  contagiosa causada pela Dermatophilus congolensis, uma bactéria gram-positiva, que gera lesões em pele de um grande número de espécies de animais mamíferos. Estas lesões são caracterizadas pela presença de crostas purulentas, proliferativas e aglutinação pilosa, que resultam num aspecto de “pincel”. Quando há remoção das crostas se percebe uma superfície úmida, de coloração cinzenta a rosada.

Como esta bactéria é um agente oportunista, podemos encontrá-la na pele íntegra dos animais assintomáticos, e estes podem virar reservatórios, fazendo que haja transmissão por contato direto entre os animais, fômites contaminados ou através de ectoparasitas hematófagos, ocasionando uma penetração e colonização da bactéria na epiderme que se encontra em condições favoráveis, gerando manifestação da doença.

Quando há penetração da bactéria na pele, se gera um processo inflamatório agudo que provoca um acúmulo de exsudato, pelos e fragmentos, dando origem às crostas. Normalmente estas lesões podem regredir dentro de duas a três semanas, ou podem se tornam crônicas perdurando durante meses.

A doença pode se manifestar quando há redução ou alteração das barreiras naturais da pele, ocasionadas por fatores ambientais principalmente, como chuva, umidade, e altas temperaturas. Para que haja um tratamento eficaz para esta doença devemos começar com a eliminação das crostas, para que não ocorra contaminação do ambiente.

Como tratamento tópico pode fazer uso de shampoos a base de iodo Polvidine, ou solução de clorexidine, diariamente. O uso de antibioticoterapia sistêmica são reservados para os casos graves e disseminados.

A ozonioterapia tem sido usada isoladamente ou concomitantemente ao shampoo. O mesmo pode ser administrado na forma de água, óleo, autohemoretapia menor ou maior e/ou retal. Ao entrar em contato com a bactéria, o ozônio irá causar uma oxidação em sua membrana, ocasionando a morte da mesma. Com esta terapia, melhoras tem sido observada na mesma semana do início do tratamento.

2. Dermatofitose equina
Causada pelo Tricophyton mentagrophytes, T. verrucosum, M. gypseum e raramente pelo Microsporum canis, a dermatofitose é uma enfermidade cutânea contagiosa auto limitante. Caracterizada por uma área circular de alopecia com pelos grossos na margem e quantidades variáveis de descamação, a dermatofitose pode evoluir rapidamente para pápulas crostosas que vão se espalhando circunferencialmente.

Estas lesões são comumente encontradas nos cavalos, na área de cabeça, pescoço, paletas e paredes laterais do tórax. No início da formação das lesões os animais podem ficar com os pelos eretos onde irá manifestar a doença, mas a evolução é rápida para a descamação e formação de crostas.

A transmissão desta afecção ocorre por contato entre os animais e fômites contaminados. Como os fungos podem sobreviver na pele do animal sem demonstrar sintomas, estes animais são considerados portadores assintomáticos, e podem ser uma fonte de infecção importante.

Para conclusão do diagnóstico podemos fazer um exame microscópico direto dos pelos infectados, porém o método mais confiável é o exame de cultura fúngica, que pode ser  realizada com os pelos quebrados que permanecem na periferia das lesões.

Raspados de pele podem ser realizados após uma limpeza na pele com éter ou álcool, caso tenha sido realizado curativos com substancias gordurosas.

O tratamento é recomendado para evitar a disseminação do fungo para outros animais e para os seres humanos.

 

Para a realização do tratamento tópico as crostas presentes devem ser eliminadas, e então ser administradas soluções fracas de iodo, unguento de mercúrio amoniacal a

 10%, e soluções que contenham compostos quartenários de amônia. Bons resultados foram obtidos com pomadas de iodo-povidone, tiabendazol, e captano. Tratamentos sistêmicos são bastante eficazes, porém mais caros, e são escolhidos quando há infecção disseminada e persistente. Como o ozônio também age contra os fungos, a ozonioterapia também é indicada como tratamento da dermatofitose, com melhora eficaz e rápida.

3. Fotossensibilização
A fotossensibilização ocorre quando há um aumento na sensibilidade da pele, mucosa, e córnea ocasionada pela luz solar, devido ao acúmulo de reagentes fotodinâmicos na pele (drogas, plantas ou outras substâncias).

Para a doença ocorrer é necessário a presença de um agente fotodinâmico que se deposita na circulação periférica, absorvendo comprimentos de onda ultravioleta, produzindo radicais livres e transmitindo a energia extra para as células adjacentes, resultando na lesão celular. As lesões são caracterizadas por estarem localizadas mais frequentemente em áreas com pouca proteção a luz, que é conferido pela melanina ou pela presença dos pelos, portanto os locais mais acometidos são as áreas brancas ou levemente pigmentadas, e com menor cobertura de pelos.

A dermatite se caracteriza por queda de pelos, “ressecamento” da pele, vermelhidão, inchaço, coceira, dor e formação de vesículas em regiões despigmentadas do corpo do animal, principalmente no chanfro, narinas, pálpebras, orelhas e boletos. Posteriormente ocorre a exsudação, necrose e descamação na área das lesões.

Há dois tipos distintos de fotossensibilização: A primária, que está comumente associada à ingestão de agentes fotodinâmicos pré-formados que se encontram em algumas plantas, plantas contaminadas por fungos, ou administração de algumas drogas.

A fotossensibilização secundária ou hepatógena ocorre quando toxinas, bactérias, fungos, agentes virais ou neoplasias acabam lesionando o fígado fazendo com que o mesmo não consiga mais excretar filoeritrina, um produto do metabolismo da clorofila, que irá se acumular na corrente sanguínea periférica e causará os sinais da doença. Com a evolução desta doença terá outros sinais clínicos, não somente as lesões cutâneas, como inapetência, lacrimejamento, poliuria, icterícia, desidratação, e formação de crostas em grandes áreas do corpo.

Os diagnósticos laboratoriais são realizados mais frequentemente quando há suspeita de fotossensibilização hepatógena, uma vez que é desencadeado por uma lesão no fígado. Portanto para conclusão do diagnostico se fazem testes sorológicos para avaliação hepática.

Para que se obtenha um tratamento eficaz a primeira medida a ser tomada é a retirada do animal da exposição ao sol. A partir desse momento começa a se pensar em administração de protetores hepáticos, anti-histamínicos, hidratantes, e protetor solar. Pode se fazer também uso glicocorticoides tópicos ou sistêmicos em casos mais graves.

 

Por Dr. Helio Itapema, Ana Paula Monteiro e Guilherme Galdino, equipe Clínica de Equinos Itapema

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